não satisfeita emser quem vinha sendo, resolveu tirar a pele em que habitava.essa coisa de dress up in you*, onde ela era totalmente riscada por fora, a fez exibir, agora, sinais do lado de dentro.uma vez estando internamente, a pele era ríspida, grossa, resistente, resultado de anos de proteção aos agentes externos.mas agora, essa camada de pele estava indo embora. esse seu nu era diferente.uma reconfiguração na proteção interna. se vai a pele morta, se cria vida lá dentro. com um revestimento simples, prático, sem complicações: uma camada de boa vontade, outra de compreensão, uma de esperança e outra gigantesca de amor.gerou um nu completo, transparente. límpido, novo, resistente.aos poucos, o medo ia embora, deixando a certeza de quem sabe o que está fazendo.é, sabia que habitava numa nova pele.agora, mais que nunca, tinha certeza de que todos nós somos mapa-mundi habitáveis.a forma como se habita a si mesmo, nós escolhemos. a pele cresce em todo mundo... só é preciso deixar-se habitar.por ela. pelo outro. pelo todo.tinhaencontrado quem ela queria ser.
18.4.12
dress up in you
15.4.12
11.4.12
1.4.12
corrida
mas eu queria tanto correr. desesperadamente, desenfreadamente, descompassadamente. para onde as minhas pernas me levassem. para onde a minha completa exaustão achasse como destino certo - quiçá incerto - das minhas decisões. eu queria tanto correr. sentir a minha respiração ofegante, a adrenalina subir à mente, meu coração quase saindo do peito, pulando pra fora, rasgando a carne, estourando as veias, mergulhando na vida. correr sem um rumo, numa só reta, com o final sendo o recomeço, onde a linha de chegada é ponto de partida; onde eu pudesse correr desenfreadamente, desesperadamente, descompassadamente. mas eu queria tanto correr, até não conseguir mais; até perder o fôlego, até matar o fôlego, até o lugar, espaço de tempo, momento extra-sensorial onde eu pudesse ter silêncio dentro de mim. mas eu só queria correr;
não correr incerto;
26.3.12
20.3.12
13.3.12
mariposa de sueño

Guardei a aliança branca que você me deu e a foto mais bonita da gente. Deixei as camisas que você me deu aqui, em plena vista, pra ser mais fácil de abraçá-las, numa tentativa boba de te encontrar ali, no alcance do meu abraço.Estão sendo dias difíceis desde aquele dia onde tudo se explodiu e você pegou aquele táxi, falando '-até a volta.' a minha mãe até o futuro próximo que eu nem sei onde é que fica ou quando ele vai ser. Esse amanhã que o tempo há de trazer, sem saber de que maneira ele vem, como ele vai conseguir chegar, se ele vai conseguir chegar. Eu saí chorando, nós saímos chorando. O amanhã desse dia está sendo e eu, pelo menos, continuo chorando. Eu sabia que você tinha que ir. Nós sabíamos que tínhamos que ir em busca.. em busca do que achou se ter perdido no meio do caminho, ou esquecido da sua presença. Talvez eu tivesse relutado por um segundo pelo meu abraço não conseguir deixar o seu, ou talvez os meus olhos não conseguirem desviar dos seus, ou, ainda, o meu coração se sentir fraco, acabado, desfalecido sem o seu. Sei lá... sentimento é coisa complicada. Nós somos complicados... complicamos tudo, sempre.Eu sempre penso no nosso futuro. E futuro é estar com você, viver bem com você. É acordar ao seu lado, construir a nossa casa, planejar nossos móveis - mesmo que eles sejam de pallets - é ter aquela casa modesta na praia, com um jardim com o pé de caju, um portão amarelo, uma rede pendurada na varanda, uma noite de chuva e amor na praia. É se surpreender positivamente a cada nova ação minhasua, é pegar na sua mão, é dormir no seu peito. Futuro com você é mais um motivo para gostar mais e mais e mais de querer me consertar. E com uma força que eu, há um tempo atrás, nem sabia ter. É poder pegar na sua mão e ser feliz por você estar ali, acompanhando cada passo adiante.Mas eu tenho consciência que você deu alguns passos pra trás. Talvez se encontre num precipício nesse exato momento, tentando decidir se salta ou se volta para o lugar onde você já esteve. Mas esse lugar não é o mesmo. Como poderia ser? A mudança, quer você enxergar ou não, existe. Talvez não da maneira rápida que você sempre acreditou que ela se daria, mas ela é real. Está sendo real. E, quando você voltar para este lugar, talvez eu já tenha dado dois, três, dez, vinte passos a frente. Por que eu não consigo mais ficar no mesmo lugar. Estou me movendo, continuando os passos que comecei a dar junto a você. Só que, desta vez, sozinha. Não que eu esteja correndo, nada disso. Só que quando se está aberta a absorção é bem maior do que a gente esperava. Isso é bom, né? Só não é ótimo porque você não está aqui, comigo.Respeito a sua parada, a sua respirada.Mesmo que, para isso, você bloqueou nosso amor, nosso crer, nossos sonhos. Não costumo acreditar que amor dá e passa. Não, não. Não creio que seja o caso do nosso. Não que ele seja vacinado contra tudo e todos e, principalmente, contra nós mesmos. Só que a gente passa a acreditar no potencial das pessoas quando as conhece bem. E três anos e dois meses não são 3 dias e 2 horas. Nem acredito que amor magoado se resolve com um beijinho. Não, não é assim. Mas acredito que a minha mudança caminha ao passo da sua, afinal, nós sempre estivemos caminhando juntos... Também acredito que vontade dá e passa. Mas que essa vontade de mostrar que o fazer diferente já existe e que é só o começo, não vai passar. Sabe porque? Porque tá sendo regada, dia-a-dia, como se fosse uma linda flor se desabrochando. E a raíz dessa árvore tá sendo fincado todo dia, com tanto cuidado que cada vez me surpreendo com a força com a qual eu bato as estacas.Eu ainda acredito que você foi, que você está aprendendo e que vai voltar e ficar - como você disse que iria ficar algum dia. Desta vez, você deixou a cargo do tempo. Não me deu outra alternativa a não ser rezar ao tempo para que ele resolva logo isso para que a gente volte para vivermos bem na casa modesta na beira da praia com cerca amarela e o pé de caju. E para que eu volte a colocar escondida a aliança branca de arame e sorria em pensar que falta fazer a sua. Nossa vida sem temporais, é só isso que eu quero.A primavera tá chegando, a primeira flor já desabrochou. O restante está vindo, tenha certeza. Porque,a cada dia uma se abre e eu acompanho o seu crescimento.Eu acredito nesse lindo jardim que está se formando, afinal, borboletas sempre voltam e o seu jardim sou eu...Voltei para onde nem sabia que conseguiria alcançar: o seu amor. então, por favor, destranca a porta, deixa a janela aberta e acende uma vela que com as passadas que eu tou dando, já é noite e eu tou chegando com frio, sede e fome - de um amor tranquilo e maduro.Porque, apesar dessa distância física, eu creio no seu amor.
26.4.10
deus e o diabo na terra de quem mesmo?
O cheiro dele era tão bom nas mãos dela quando
ela ia deitar, sem ele. O cheiro dela era tão bom nas mãos dele quando ele ia
deitar, sem ela[caiof]Começou assim essa coisa toda de sentir demasiadamente. assim como chuva fina que vai te pegando com um pingo aqui, outro acolá. assim como arranhão na pele crua onde a gente sente cada poro se rasgando, abrindo como se cada lado reivindicasse a sua parte do todo. assimfoi e assim sempre será. essa coisa doida de sentir tão intimamente tudo e saber que a relativização da linha tênue entre entre dor, espasmo, prazer ou excitação vai se tornar bastante comum logo, logo. pois bem, esquecendo disso por um instante, a gente pára logo ali na frente: quando se vê, lá mesmo, pagando aluguel, tomando conta do quarto principal, aquele mesmo com banheiro maior, cama macia, janela virada para a rua mais bonita, além da sorte de ter uma bandeja ali do lado, na cozinha, sempre com uma flor te esperando. aí a gente não sabe bem o que esperar do futuro. as dúvidas, as dívidas, os consumos exacerbados, a quantidade limítrofe do normal passa a andar na corda bamba e o medo de conseguir gostar cada vez mais de tudo isso. pânico poderia ser o nome do filme, você não acha? não cairia bem? - é, pode ser. [talvez]você me responderia[isso]. ou melhor: pânicoinstaurado. ok, não é hora para se discutir isso. o fato é que, amigo, você se encontra logo ali, no passo mais a frente do que você jurou que seria o mais radical que você faria - claro, quem mandou sempre renegar toda aquela adrenalina adolescente e os pedidos dos amigos para se juntar nas atividades radicais? - Pois bem, você está aí mesmo. talvez nem tenha percebido como o sentir demasiadamente te anestesiou de diversas coisas e pessoas e situações. e vários outros pontos que nós poderíamos ficar discutindo aqui durante toda a nossa existência, você não acha? é, aí seria demais. nada de novo. mas voltando... você percebe que chegou no ponto onde o pânico é só mais um coadjuvante nesse sentimento demasiado. quiçá, diria até um estimulante - o único que você realmente se permitiu durante a sua vida until now (visto que adrenalina nunca foi o seu forte, colega). é, mas que bela enrascada, visse? caíste na cama de gato que tu sempre armasse contra tudo e todos, inclusive contra a tua própria alma. ou vai me dizer agora que tu alguma vez já tentasse realmente permitir uma aproximação dela? tenha dó, vá. tenha logo esse dó e admita que você tá perdidinho da silvasauro nesse mundão novo onde o outro é ator principal, onde você não é mais sujeito individual e que você mudou até o hábito de não tomar café da manhã por conta da bandeja bonita com a flor vermelha que, de certa forma, chega todos os santos dias que você passa nisso tudo. que você admira como a flor chega mudada toda manhã. umas vezes pela quantidade de água colocada. umas outras tantas pelo sol que levou antes de chegar até o seu destino. no restante? talvez seja aquela coisa de adubar e tudo o mais... é só um chute, viu? porque, já sabe né, a gente não se mete a compreender a dimensão do significado das coisas quando elas são pesadas demais para a gente tentar de alguma forma significá-las mais ainda. imagine só o crime que seria isso. nome a gente dá para as coisas conhecidas. as desconhecidas ficam prontas para serem reinventadas, reinauguradas, renomeadas todo santo dia de meu deus. claro que em uns certos dias, os nomes podem até virem com prefixos e/ou sulfixos menos estimulantes. imagine só, até a flor pode vir menos altiva, quanto mais as palavras. o fato é que eu poderia ficar até amanhã ou depois ou logo depois também enumerando as diversas possibilidades que a gente tem diante do sentir demasiado. mas não vou não, visse? vou te poupar bonito. porque, ninguém merece ficar ouvindo sentimentalismo alheio quando o que a gente mais quer é ouvir aquele sentimentalismo ali, o que nos interaessa, aquele alimesmo naquela beira daquela janela, onde o cantinho mais próximo fica a alguns centímetros de distância - é, ali mesmo, onde a bandeja com a flor está devidamente posta, esperando só pelo acúmulo de sentimento do dia. tou pedindo demais, colega? claro que não tou. e você sabe disso. afinal, todo mundo tem um acúmulo de sentimentalismo - mesmo barato, mesmo banal, mesmo até ridículo - esperando só o momento de aparecer. e vou terminar te dizendo uma coisa séria, presta atenção: o danado é bom. mais ainda se vier com a carga de pânico e o sentimento de cordabamba e vento na cara e coisa no estômago e tudo o mais que a gente vai sentindocoisandoimaginandoeticeterando..viu só como é facinho se desviar do foco? mas o foco não era mesmo o pânico disso tudo? meu deus, onde foi que eu me perdi? pro diabo tudo isso. nada mais demasiamente anestesiada. nem sei mais onde isso vai dar, em terra de de deus ou no inferno dos demais. deixa eu ir ali que a flor, o quarto e ... enfim. me esperam. me espere.
29.1.10
27.12.09
2.12.09
Uma parte do coração
É interessante a gente as vezes parar pra pensar na quantidade de coisas boas que a vida nos oferta. Fim de ano sempre tem dessas coisas, né? Parece que a gente tá com o coração mais pesado, carregado de tudo o que a gente possa enfiar lá dentro, por medo dessas coisas-que-a-gente-tanto-quer-junto-no-ano-que-começa ficarem nesse finalzinho de 2009. Aí, dezembro é um peso só: parece que a gente anda com o peitoral arrastado pelo chão, de tanta coisa que a gente prende e reza pra não sair nem tão cedo de lá.
E logo eu que sou medrosa que só a gota serena, já fico com medo de como vai ser 2010 e das coisas que vão acontecer e que eu vou ter que escolher para colocar aqui do lado de dentro. Já pensasse no aperreio que é tudo isso? Porque, meu filho, chega uma hora que a gente não sabe como vai caber tanta alegria e amor que vai cada vez mais existindo e existindo dentro do coração e dá logo uma angústia de pensar em ter que escolher certas coisas.
Me dá logo um abuso triste. Fico receosa, temorosa de não estar fazendo a escolha certa.
Ai eu paro e penso na quantidade de gente qeu eu carrego durante anos e anos e, melhor, na qualidade dessas pessoas.
Tem gente medrosa feito eu, tem gente doida, gente triste, gente de toda forma.
Mas de quem eu gosto mais e que, todo santo ano eu passo direto na hora da escolha sem nem pestanejar, é da parte alegre.
E hoje eu acordei pensando numa das partes mais cativas e alegres do meu coração. Eu sei, é recente a morada dela, um ano e pouco, por aí. Só que sabe quando a gente para pra perceber que isso não é de hoje, é de sempre?
É assim que meu coração sente. É como se fosse um pedaço dele desde que ele resolveu ser criado.
A linha tênue entre amizade-irmandade-parentesco também ajuda - e muito - porque não é todo dia que a gente encontra uma pessoa tão boa e quer colocá-la numa caixinha pra ter sempre por perto.
E sabe o que me deixa mais feliz? É que, há um ano e pouco atrás, eu procurava alguém especial pra um amigo querido - que eu também guardo no coração - e acabei encontrando ela, que, desde o começo de tudo, eu sabia que ia tomar um lugar dentro de mim que seria pra sempre e que ninguem iria tirar.
Hoje é teu dia, prima. Feliz aniversário.
Quero tar contigo até, pelo menos, o teu aniversário de 95 anos (e a festa no clube das Pás..hahaha).
Te amo, coração (literalmente).
Beijo
5.11.09
renascendo
olhos, ouvidos, boca e nariz.
coração, pulsação, batida, martelo, compasso.
com paixão.
solução.
solidão? não.
ainda bem que existem pessoas como vocês para deixar tudo azul claro, clarinho.
é que as vezes eu deixo o cabelo cobrir meus olhos, ouvidos, boca e nariz. e pareço só perceber quando, sufocando, elas aparecem.
obrigada pela amizade.
pela irmandade.
pelo que completa a falta.
21.10.09
two hungry blackbirds
E é essa coisa de aprender a bater as asas, aos poucos, aos pingos, que me faz seguir em frente.
Não que eu não quisesse nascer já voando; não, não, seria pretensão demais.
A gente aprende a amaciar a penugem, contar as penas que crescem, contar as que caem e as que ficam mais claras com o passar dos dias em que a gente tenta. E assim vai seguindo...tentando, tentando, até não sei mais onde. Sabe porque? Porque a (nossa) penugem ainda não se completou. O outono, do mesmo jeito que parece ter chegado assim, meio de mansinho, agora é passado. E, talvez o que caiu não tenho sido suficiente para que (nós) aprendamos a dar o próximo passo.
Continuamos os mesmos two hungry blackbirds; só que a fome agora é maior. Aguardamos, então, a próxima estação e os ventos que a trazem.
3.7.09
13.4.09
;
Era alto, magro e chamativo. Não desses que a gente espera ser rodeado de garotas, o mais estiloso na dança e a pessoa que mais faz amizades em lugares pouco prováveis para o contato de desconhecidos - não, não; passava longe disso.Eu nem sei o que acontece. Ele ali, enconstado no balcão; copo sobe, copo desce, em movimento único, mão única, sentido único - era mestre nessa arte. O cheiro forte do aguardente que preenchia o copo convidava quem estivesse ali, próximo à cena. Esta que se repetia religiosamente - mesmo local, mesmo horário, fins de semana ímpares ou pares, ou, ainda, ímpares e pares - afinal, quem é que gosta de ser previsível, não é mesmo?
O fato é que ele era mesmo o que a gente podia tachar de, de quê mesmo? Chamativo? Atrativo? Convidativo? Enfim, ninguém quer se perder em meio a sinônimos. Chamativo; é isso mesmo: chamativo. Cabelos cacheados, loiros e um tanto bonitamente esquisitos; é que eles eram de um amarelo tão ofuscante que era impossível não se notar. Uma barba ora ruiva, ora castanha. E pode, pode? Sei se pode não, só sei que era: assim mesmo. A gente ficava na dúvida, achando que ele fazia de propósito. Mas não, não: ele não cultivava o hábito de se pintar não - pintar cabelos, clarear a barba, sei lá mais o quê, né? É que quem acompanhava o vai-e-vem do copo de aguardente entre o balcão e a sua boca percebia as unhas bem cuidadas, as mãos bonitas e aparentemente macias, que combinavam perfeitamente com o seu tom "roseado" - é melhor utilizar aqui perfeccionista ou cuidadoso? Sei não, vai ver é os dois, ou falta muita coisa de cada um ou sei lá o que; não sou perfeccionista nem cuidadosa a ponto de ler entrelinhas...
Tinha o hábito de se encostar no meio do balcão, pegar o copo com quatro dos seus dedos e se envergar sobre ele depois de um gole, parecendo decidir ali, naquele momento, para qual dos lados iria olhar primeiro: esquerda ou direita? Eram tantas decisões a serem tomadas - definitivamente ele não era uma pessoa decidida : quem é que fica em dúvida entre olhar primeiro para um lado e depois para o outro? Ele, só ele mesmo.
Independente do movimento primeiro, sempre voltava o olhar para o copo de aguardente: esse merecia a sua total atenção. Engraçado, né? Parecia mais uma relação fundamentada na atenção recíproca que um devotava ao outro: o copo de cachaça ali, sempre o aguardando-o; ele ali, sempre o procurando. Já parou pra perceber que o sempre é palavra chave nisso tudo? Pois é, perceba, meu filho. Porque logo ali, quando eu completar o meu relato, você vai entender a importância do sempre. Vá por mim, vá...
Voltando à questão: a gente nunca sabia o que mais chamava nele: se era aquele jeitinho envergado, envergonhado, com os ombros retraídos, de quem pega o copo certo do que vai fazer, refutando, assim, o sempre do indeciso destinado à ele anteriormente; ou se era quando aquele seu tom "roseado" se saturava justamente quando a gente ousava ir de encontro àqueles seus olhinhos miudinhos, que pareciam te convidar a uma possível aproximação - o que, "sinonicamente", seria perfeito para o fato dele ser convidativo, ou, melhor, chamativo.
Sei lá, desisti de entender a razão, circunstância ou o porquê de eu ter parado justamente naqueles olhinhos esverdeados e ter aceito o convite de visitação e quiçá, permanência. É que quando ele resolveu pedir um trago do meu cigarro, naquele mesmo balcão de sempre, com o mesmo copo de aguardente que estava sempre na sua frente, enquanto eu me preocupava em desenhá-lo mentalmente, a gente percebe que o sempre só existe nele na forma de elemento inovador. Elemento inovador? Pois é. Prestou atenção no sempre? Pois bem: seja uma cachaça nova, um dedo a mais no copo, a barba mais rala, há sempre o tal do elemento inovador.
Mas ei, peraí...quem é o elemento inovador nessa história toda? Será o cigarro? Será eu? Cigarro? Eu? Cigarro, eu, cigarro,eu, eu, cigarro, cigar...
Ok, isso não importa. Ele conseguiu chamar a minha atenção. E a sua também. Peraí que tá na hora de ir conferir a inovação da noite: minha carona pro bar chegou..adivinha quem é?
12.3.09
daquelas histórias de que o inferno são os outros e outras coisas mais
14.2.09
expectations
4.1.09
da série gente como a gente, número 2.
o bom é quando as letras deixam apenas de ser
fonemas unidos entre si para darem espaço à sentidos maiores. coisa difícil. nem
sempre as pessoas conseguem enxergar o que há por trás das palavras, o que as
rodeia, você faz parte de um círculo raro.único. apenas deixar fluir frases,
para você, é fácil, mesmo que para trazê-las à tona sejam necessários anos de
amizade intensa, de conhecimento mútuo, o mais difícil e mais gratificante é ver
você seguindo em frente, se [re]construíndo aos poucos, aos segundos,
tentativas.só quem conhece um pouco do teu avesso sabe que chegar a este ponto,
encontrar-se nesse meio é algo novo, assustador. mas te digo, com plena certeza
e alegria, o teu caminho apenas começou, é que tudo, no final, faz parte do teu
show.
eu amo você. [Clareana - 29/08/08]
dois minutos. cinco minutos. dez minutos para tentar arranjar as idéias e poder, assim, falar dela. mas como se fala de alguém que você conhece tão a fundo mas que, por isso mesmo, tem receio em mostrar essas particularidades que custaram tanto a aparecem para todo o resto das pessoas? Podem me chamar de egoísta, do que for, mas, taí, essa eu não consigo dividir não. é mais forte que eu, esse meu medo de perder as pessoas das quais eu deposito tanta confiança, amor e tudo de melhor que há nessa vida. não, minah gente, desse medo eu não quero me livrar nunca.
e, pra falar dela, a gente precisa fechar os olhos e imaginar uma pluma, daquelas bem cheias, bonitas, daquelas que dá gosto de se ver; branca, azul, amarela, a cor não importa - ela sabe ser arco-íris. para os dias tristes, ela se veste de um preto reluzente; para os dias alegres, o amarelo é sempre a escolha dela; nos dias melancólicos, ela se faz cinza claro, cinza escuro, depende do horário. os dias alegres? ela é todas as cores: tudo misturado, do jeito que ela gosta. inclusive, a idéia do ser tudojuntoemisturado faz parte disso: ela foi uma das pessoas que me ensinou isso, me ensinou ser assim.
a mão estendida, a lágrima que só desce para acompanhar a minha, o riso de "tá tudo bem", o abraço de "já passou", a alegria de deitar num dos bancos do parque mais bonito da cidade ao som da orquestra sinfônica e acompanhar a cadência das luzes, só a gente sabe o que significa. só a gente sabe, também, o que significa transcender a palavra amizade: só a gente sabe.
e é por essas e outras que toda vez que eu paro para escrever sobre ela, as palavras ficam com vergonha e se escondem, com medo de serem tidas, depois, como escolhas erradas ou pequenas demais. aí eu fico só no sentimento, amando e querendo bem e estando aqui sempre, estendendo a mão, abraçando, chegando junto e defendendo, enxugando lágrimas, causando risos e entendendo silêncios. porque, mais do que ninguém, eu sei que ela sabe me entender; eu sei que ela sabe que, quando não há silêncios desconcertantes entre duas pessoas, é sinal de que as almas delas se reconhecem. e é isso que eu espero dessa minha vida: esse caminhar de almas até quando a gente fizer 100 anos, sambando e ouvindo cartola, cantando o quanto a vida é bonita, com um copo de cachaça nas mãos e a alegria de ter tido, pelo menos, 85 anos de memórias juntas. eu amo você.
27.12.08
tchibum nas emoções
Esse medo descabido e latente das emoções que a atormentava justamente como era quando ela tinha dez anos e tinha que subir numa árvore qualquer ou escalar um muro para acompanhar a brincadeira das outras crianças. Acompanhar, ela acompanhava; de olhos cerrados, dentes trancados, força motora a 100% e pensamento no anjo da guarda, única oração que conseguiu aprender mesmo. E agora, tudo voltava à cena: aquela sensação de desespero e angústia pela negação do presente e os quereres de um após tudo isso, que sabe-se lá se tem futuro denominar isso de futuro, entende? Entende.
Aí, ela levantava e ficava em frente à cama, como quem tenta refazer tudo dentro das suas possibilidades, no caminho das linhas da palma da sua mão, na cadência normal dos seus passos. Suavemente, ela recria a oportunidade perdida minutos antes: dá um tchibum na sua cama, dá um tchibum nas suas emoções. Afinal, a madrugada ainda estava ali, bonita, reinante, só esperando a hora certa para que ela voltasse a acordar do mesmo sonho, e, mais uma vez, fizesse a sua escolha.
Ela? Dessa vez, escolheu entrar no acaso e amar o transitório. Sim, Carlos Pena Filho, entrar no acaso e amar o transitório.
22.12.08
baby, i love you
Tenho uma teoria acerca da importância da música nas nossas relações do cotidiano: para mim, uma relação só existe se ela tiver a sua música própria, aquela que serve de trilha sonora, que toca involuntariamente na sua mente quando a rádio sintoniza tal pessoa ou tal estação que te faz lembrar esse certo alguém.
Tenho uma música para cada um dos meus amores cultivados, sejam eles amores constantes, amores clandestinos, desamores ou eternos. E é de se impressionar como a freqüência é sempre fantástica!
mim colocando a cabecinha meio de lado, tentando sentir a música.


