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18.4.12

dress up in you


não satisfeita em
ser quem vinha sendo, resolveu tirar a pele em que habitava.

essa coisa de dress up in you*, onde ela era totalmente riscada por fora, a fez exibir, agora, sinais do lado de dentro.

uma vez estando internamente, a pele era ríspida, grossa, resistente, resultado de anos de proteção aos agentes externos.

mas agora, essa camada de pele estava indo embora. esse seu nu era diferente.

uma reconfiguração na proteção interna. se vai a pele morta, se cria vida lá dentro. com um revestimento simples, prático, sem complicações: uma camada de boa vontade, outra de compreensão, uma de esperança e outra gigantesca de amor.

gerou um nu completo, transparente. límpido, novo, resistente.

aos poucos, o medo ia embora, deixando a certeza de quem sabe o que está fazendo.

é, sabia que habitava numa nova pele.

agora, mais que nunca, tinha certeza de que todos nós somos mapa-mundi habitáveis.

a forma como se habita a si mesmo, nós escolhemos. a pele cresce em todo mundo... só é preciso deixar-se habitar.

por ela. pelo outro. pelo todo.



tinha
encontrado quem ela queria ser.



15.4.12

sobre o agora


de tanto ser, só tenho alma.

e pulsa[cora]ção.




11.4.12

sobre aniversários

apertando os olhinhos esperando a realização do pedido.

agora, é só esperar.

20.3.12

do amor.







porque era ela, porque era eu. e porque eram dois em um só, numa só força, energia e vontade, eles conseguiam ser.

na primeira vez, foi como um susto. surpresa boa. batida frenética do coração. ali estava ela, completando idade nova, em meio de um amontoado de gente. não ouvia nada. não via nada. só as luzes daquele lugar antigo, daquele recife antigo. procurava. procurava ele, procurava a sua presença. não fazia sentido sem ele. nada, nada fazia sentido. até que.. aquela blusa listrada, branca e azul, apareceu. uma sacolinha a acompanhava. uma bolsa. nela, o presente. o seu presente. ele não sabia que o maior presente estava ali, de branco e azul, andando compassadamente em sua direção, cabeça baixa, olhar tímido, sem saber como justificava a sua demora. presente? que presente? demora..? muito menos. ela nunca quis saber de nada disso. ela só quis saber do coração batendo pela boca e de todo o amor que ele despertou naquele segundo em que se fez presente. se fez o presente. e ali habitou a noite toda, ao seu lado. e foi assim que pediu pra noite não terminar, ela dormir com ele e prolongar o que jamais poderia terminar: o amor daquele momento.
--
na segunda, já foi diferente, mas nem tanto. foi ali também, no mesmo lugar, mesmo espaço, numa outra festa. em meio a chuva, gente, suor, cerveja; em meio a um balcão, uma radiola de fichas, uma troca de olhares,encostados numa parede, surgiu uma declaração: foi um eu te amo limpo, límpido, sincero, gostoso. foi o mais bonito que qualquer um que tivesse ali poderia ter presenciado. foi debaixo de dois olhares amedrontados, sufocados pelo sentimento que pressionava em sair gritando, aos quatro cantos, esse amor desenfreado. foi o eu te amo mais lindo que todo mundo viu. foi o mais bonito que ela viu.
--
na terceira, foi quase um momento de aflição; não foi no mesmo lugar não, mas era até parecido; tinha radiola de ficha, quintal, música, amigos... tinha gente importante, tinha vergonha, receio, medo de não ter atenção. é,ela tinha isso. e foi justamente, em meio a agitação do show do rapaz que cantava o amor no cotidiano, falando em miojo, tombo, e outras milhares de coisas, que a dança aconteceu. que o amor ali se mostrou. que a menina perdeu a vergonha e flutuou. se deixou levar pelo momento, pela emoção e apagou todos que ali estavam, tornando essa lembrança um caso de duas pessoas só. e quando voltou a realidade, todos estavam ali, admirados com o amor. até a mulher famosa bradou: - é, vocês são lindos juntos. e a menina, claro, encheu o peito de amor e se calou ali, ao lado dele, sorrindo sem pudor.
--
a quarta? a quarta foi história de cinema, daquelas que a gente paga de novo pra ver todas as sessões que conseguir ir. porque mágica assim, só em cinema. dia dos namorados, mulher triste, sem notícias, aflita depois de uma briga, chora pensando que foi esquecida. tem medo dele não dar o devido valor, sonha em fazer tanta coisa nesse dia, curtir a vida com a sua companhia, aquele ao qual pertence o seu amor; só que as horas se arrastam, e nada acontece;o dia escurece, trazendo a noite junto... ela, que ja estava furiosa, se contenta com a idéia de um esquecimento. pensa no aborrecimento e só quer esclarecer as coisas. coloca todas as suas armas em jogo e se apronta para a batalha, esquecendo que nem sabia se o tabuleiro poderia, na verdade, existir. quando ele chega, todo afobado, ainda agoniado da correria do dia-a-dia, ela o olha com alegria mas disfarça o sentimento; ele, que não é besta nem nada, tinha preparado a surpresa mais linda que nem ela poderia imaginar no acontecido: uma caixinha simbolizava todo o esforço adquirido nesse tempo de convívio para surpreender a sua amada. ela olhava, admirada, aquele negocinho de madeira, onde tinha escrito 'abra se puder' e se perguntando se era necessário. ela, tomada pelo nervosismo, nao consegue abrir a caixa, mas ansiosa pelo que ali ele guardava. quando a abriu, não aguentou o choro. era tão grandioso que ela nao tinha palavras; era simples, lindo, perfeito. ele tinha feito tudo o que ela gostava: vales ali dentro de diversas coisas que ela amava, mas um, em especial, era o que mais importava: aquele que tinha escrito eu te amo no fim da caixa. ele se apressou logo a dizer que esse nao tinha data de validade. e ela, respirou aliviada, por ter o melhor companheiro de jornada. pediu desculpas por ter duvidado, mas no fim, ele tinha conseguido, ser o melhor namorado. foi o presente mais bonito que ela tinha recebido. a caixinha nunca mais abriu. ela guardou tão bem os vales para saber que eles não se expiravam, que agora o que ela mais queria era utilizá-los.
--
e a última, sabe qual é? é aquela em que a surpresa é a palavra-chave. era fim de ano, época festiva. aniversários, casamentos, confraternizações. ela sempre queria estar com ele, a saudade a matava aos poucos. era dessas que precisava ver, beijar, sentir, amar ali, de ladinho. fm de semana sempre era fim de semana porque ele estava ali, com ela. isso era fim de semana. o amor era fim de semana. e foi, naquela noite, onde tudo o que ela sentia era saudade, vontade de ficar junto, dormir junto, amar junto, pegar nas mãos junto, que todos estavam ali, menos ele. ele, se preocupava em terminar um presente. em casa, cheio de coisas para terminar, nao percebeu que o verdadeiro presente para ela era ele ali, com ela. a companhia dele. o amor dele. e ela, que estava na festa, nao conseguia disfarçar a falta que ele fazia. nao ouviu o seu celular tocar. 1, 2, 3 vezes. quando resolve olhar a hora pra ir embora, vê tudoo que tinha perdido: ligações não atendidas e uma mensagem dele. o coração saindo pela boca, as mãos trêmulas de ansiedade, ela liga e se depara com quase uma briga: ele, já tinha desistido da surpresa. ela, triste, argumenta, ainda sobre o efeito da surpresa. triste, desliga o telefone. 15 minutos depois, o carro chega. ele não tinha desistido. ele surpreende. sempre. ele entende, ele aceita, ele se dobra em mil. ela, extasiada, nao sabe se beija, se abraça, se agradece pelo presente. o aniversário era de outra menina, mas quem tinha o maior e o melhor presente era ela: ele.

porque? porque era ele; porque era eu.


e porque eram assim, ela poderia, ainda falar sobre aquela vez onde ela adormeceu de tanto chorar em meio ao seu abraço, que calava o soluço; ou aquela vez onde, no corredor do hospital onde a sua mãe estava, ele a abraçou e apertou a sua mão tão forte que ela sentiu que ali era a sua moradia; ou, ainda, quando escolheram passear, livres, pelas ladeiras de olinda, escolhendo o futuro juntos, o lar juntos, a vida juntos; ou, também, poderia contar sobre o dia em que a perda dele foi tão grande que ela chorava de dor pela dor que ele sentia, ali, encolhidinho no seus braços; ou, ainda, aquele abraço de manhã, antes de levantar, só pra confirmar que ele está ali, com você, por você, para você.
cinco eu te amos. cinquenta eu te amo. quinhentos eu te amo.

ad infinitum...


do you remeber?

tudo pode dar certo ; woody allen

tudo vai dar certo.



sim, vai dar certo.


26.4.10

deus e o diabo na terra de quem mesmo?

O cheiro dele era tão bom nas mãos dela quando
ela ia deitar, sem ele. O cheiro dela era tão bom nas mãos dele quando ele ia
deitar, sem ela[caiof]
Começou assim essa coisa toda de sentir demasiadamente. assim como chuva fina que vai te pegando com um pingo aqui, outro acolá. assim como arranhão na pele crua onde a gente sente cada poro se rasgando, abrindo como se cada lado reivindicasse a sua parte do todo. assimfoi e assim sempre será. essa coisa doida de sentir tão intimamente tudo e saber que a relativização da linha tênue entre entre dor, espasmo, prazer ou excitação vai se tornar bastante comum logo, logo. pois bem, esquecendo disso por um instante, a gente pára logo ali na frente: quando se vê, lá mesmo, pagando aluguel, tomando conta do quarto principal, aquele mesmo com banheiro maior, cama macia, janela virada para a rua mais bonita, além da sorte de ter uma bandeja ali do lado, na cozinha, sempre com uma flor te esperando. aí a gente não sabe bem o que esperar do futuro. as dúvidas, as dívidas, os consumos exacerbados, a quantidade limítrofe do normal passa a andar na corda bamba e o medo de conseguir gostar cada vez mais de tudo isso. pânico poderia ser o nome do filme, você não acha? não cairia bem? - é, pode ser. [talvez]você me responderia[isso]. ou melhor: pânicoinstaurado. ok, não é hora para se discutir isso. o fato é que, amigo, você se encontra logo ali, no passo mais a frente do que você jurou que seria o mais radical que você faria - claro, quem mandou sempre renegar toda aquela adrenalina adolescente e os pedidos dos amigos para se juntar nas atividades radicais? - Pois bem, você está aí mesmo. talvez nem tenha percebido como o sentir demasiadamente te anestesiou de diversas coisas e pessoas e situações. e vários outros pontos que nós poderíamos ficar discutindo aqui durante toda a nossa existência, você não acha? é, aí seria demais. nada de novo. mas voltando... você percebe que chegou no ponto onde o pânico é só mais um coadjuvante nesse sentimento demasiado. quiçá, diria até um estimulante - o único que você realmente se permitiu durante a sua vida until now (visto que adrenalina nunca foi o seu forte, colega). é, mas que bela enrascada, visse? caíste na cama de gato que tu sempre armasse contra tudo e todos, inclusive contra a tua própria alma. ou vai me dizer agora que tu alguma vez já tentasse realmente permitir uma aproximação dela? tenha dó, vá. tenha logo esse dó e admita que você tá perdidinho da silvasauro nesse mundão novo onde o outro é ator principal, onde você não é mais sujeito individual e que você mudou até o hábito de não tomar café da manhã por conta da bandeja bonita com a flor vermelha que, de certa forma, chega todos os santos dias que você passa nisso tudo. que você admira como a flor chega mudada toda manhã. umas vezes pela quantidade de água colocada. umas outras tantas pelo sol que levou antes de chegar até o seu destino. no restante? talvez seja aquela coisa de adubar e tudo o mais... é só um chute, viu? porque, já sabe né, a gente não se mete a compreender a dimensão do significado das coisas quando elas são pesadas demais para a gente tentar de alguma forma significá-las mais ainda. imagine só o crime que seria isso. nome a gente dá para as coisas conhecidas. as desconhecidas ficam prontas para serem reinventadas, reinauguradas, renomeadas todo santo dia de meu deus. claro que em uns certos dias, os nomes podem até virem com prefixos e/ou sulfixos menos estimulantes. imagine só, até a flor pode vir menos altiva, quanto mais as palavras. o fato é que eu poderia ficar até amanhã ou depois ou logo depois também enumerando as diversas possibilidades que a gente tem diante do sentir demasiado. mas não vou não, visse? vou te poupar bonito. porque, ninguém merece ficar ouvindo sentimentalismo alheio quando o que a gente mais quer é ouvir aquele sentimentalismo ali, o que nos interaessa, aquele alimesmo naquela beira daquela janela, onde o cantinho mais próximo fica a alguns centímetros de distância - é, ali mesmo, onde a bandeja com a flor está devidamente posta, esperando só pelo acúmulo de sentimento do dia. tou pedindo demais, colega? claro que não tou. e você sabe disso. afinal, todo mundo tem um acúmulo de sentimentalismo - mesmo barato, mesmo banal, mesmo até ridículo - esperando só o momento de aparecer. e vou terminar te dizendo uma coisa séria, presta atenção: o danado é bom. mais ainda se vier com a carga de pânico e o sentimento de cordabamba e vento na cara e coisa no estômago e tudo o mais que a gente vai sentindocoisandoimaginandoeticeterando..
viu só como é facinho se desviar do foco? mas o foco não era mesmo o pânico disso tudo? meu deus, onde foi que eu me perdi? pro diabo tudo isso. nada mais demasiamente anestesiada. nem sei mais onde isso vai dar, em terra de de deus ou no inferno dos demais. deixa eu ir ali que a flor, o quarto e ... enfim. me esperam. me espere.

5.11.09

renascendo

Para Clara e Madu



olhos, ouvidos, boca e nariz.
coração, pulsação, batida, martelo, compasso.
com paixão.
solução.
solidão? não.

ainda bem que existem pessoas como vocês para deixar tudo azul claro, clarinho.
é que as vezes eu deixo o cabelo cobrir meus olhos, ouvidos, boca e nariz. e pareço só perceber quando, sufocando, elas aparecem.

obrigada pela amizade.
pela irmandade.
pelo que completa a falta.


21.10.09

two hungry blackbirds

E é essa coisa de aprender a bater as asas, aos poucos, aos pingos, que me faz seguir em frente.
Não que eu não quisesse nascer já voando; não, não, seria pretensão demais.
A gente aprende a amaciar a penugem, contar as penas que crescem, contar as que caem e as que ficam mais claras com o passar dos dias em que a gente tenta. E assim vai seguindo...tentando, tentando, até não sei mais onde. Sabe porque? Porque a (nossa) penugem ainda não se completou. O outono, do mesmo jeito que parece ter chegado assim, meio de mansinho, agora é passado. E, talvez o que caiu não tenho sido suficiente para que (nós) aprendamos a dar o próximo passo.
Continuamos os mesmos two hungry blackbirds; só que a fome agora é maior. Aguardamos, então, a próxima estação e os ventos que a trazem.

13.4.09

;


Era alto, magro e chamativo. Não desses que a gente espera ser rodeado de garotas, o mais estiloso na dança e a pessoa que mais faz amizades em lugares pouco prováveis para o contato de desconhecidos - não, não; passava longe disso.

Eu nem sei o que acontece. Ele ali, enconstado no balcão; copo sobe, copo desce, em movimento único, mão única, sentido único - era mestre nessa arte. O cheiro forte do aguardente que preenchia o copo convidava quem estivesse ali, próximo à cena. Esta que se repetia religiosamente - mesmo local, mesmo horário, fins de semana ímpares ou pares, ou, ainda, ímpares e pares - afinal, quem é que gosta de ser previsível, não é mesmo?

O fato é que ele era mesmo o que a gente podia tachar de, de quê mesmo? Chamativo? Atrativo? Convidativo? Enfim, ninguém quer se perder em meio a sinônimos. Chamativo; é isso mesmo: chamativo. Cabelos cacheados, loiros e um tanto bonitamente esquisitos; é que eles eram de um amarelo tão ofuscante que era impossível não se notar. Uma barba ora ruiva, ora castanha. E pode, pode? Sei se pode não, só sei que era: assim mesmo. A gente ficava na dúvida, achando que ele fazia de propósito. Mas não, não: ele não cultivava o hábito de se pintar não - pintar cabelos, clarear a barba, sei lá mais o quê, né? É que quem acompanhava o vai-e-vem do copo de aguardente entre o balcão e a sua boca percebia as unhas bem cuidadas, as mãos bonitas e aparentemente macias, que combinavam perfeitamente com o seu tom "roseado" - é melhor utilizar aqui perfeccionista ou cuidadoso? Sei não, vai ver é os dois, ou falta muita coisa de cada um ou sei lá o que; não sou perfeccionista nem cuidadosa a ponto de ler entrelinhas...

Tinha o hábito de se encostar no meio do balcão, pegar o copo com quatro dos seus dedos e se envergar sobre ele depois de um gole, parecendo decidir ali, naquele momento, para qual dos lados iria olhar primeiro: esquerda ou direita? Eram tantas decisões a serem tomadas - definitivamente ele não era uma pessoa decidida : quem é que fica em dúvida entre olhar primeiro para um lado e depois para o outro? Ele, só ele mesmo.

Independente do movimento primeiro, sempre voltava o olhar para o copo de aguardente: esse merecia a sua total atenção. Engraçado, né? Parecia mais uma relação fundamentada na atenção recíproca que um devotava ao outro: o copo de cachaça ali, sempre o aguardando-o; ele ali, sempre o procurando. Já parou pra perceber que o sempre é palavra chave nisso tudo? Pois é, perceba, meu filho. Porque logo ali, quando eu completar o meu relato, você vai entender a importância do sempre. Vá por mim, vá...

Voltando à questão: a gente nunca sabia o que mais chamava nele: se era aquele jeitinho envergado, envergonhado, com os ombros retraídos, de quem pega o copo certo do que vai fazer, refutando, assim, o sempre do indeciso destinado à ele anteriormente; ou se era quando aquele seu tom "roseado" se saturava justamente quando a gente ousava ir de encontro àqueles seus olhinhos miudinhos, que pareciam te convidar a uma possível aproximação - o que, "sinonicamente", seria perfeito para o fato dele ser convidativo, ou, melhor, chamativo.

Sei lá, desisti de entender a razão, circunstância ou o porquê de eu ter parado justamente naqueles olhinhos esverdeados e ter aceito o convite de visitação e quiçá, permanência. É que quando ele resolveu pedir um trago do meu cigarro, naquele mesmo balcão de sempre, com o mesmo copo de aguardente que estava sempre na sua frente, enquanto eu me preocupava em desenhá-lo mentalmente, a gente percebe que o sempre só existe nele na forma de elemento inovador. Elemento inovador? Pois é. Prestou atenção no sempre? Pois bem: seja uma cachaça nova, um dedo a mais no copo, a barba mais rala, há sempre o tal do elemento inovador.

Mas ei, peraí...quem é o elemento inovador nessa história toda? Será o cigarro? Será eu? Cigarro? Eu? Cigarro, eu, cigarro,eu, eu, cigarro, cigar...

Ok, isso não importa. Ele conseguiu chamar a minha atenção. E a sua também. Peraí que tá na hora de ir conferir a inovação da noite: minha carona pro bar chegou..adivinha quem é?

12.3.09

daquelas histórias de que o inferno são os outros e outras coisas mais

Exorcizar demônios: é isso que a gente passa uma vida inteira para aprender ou, na melhor das hipóteses, arriscar saber. Aí, o discurso do balbuciar alemão, tomar sorvete e andar de bicicleta ao mesmo tempo ser a coisa mais difícil do mundo não faz muito sentido não. Complicado é a gente rejeitar de vez, sem risco de volta, desvio de rota ou retorno de caminho esse tipo de habitante.
Não saberia dizer a você - você mesmo que se encontra agora, aqui, lendo isso - quando a gente aprende, como acontece esse processo e o saldo de cicatrizes que essa remoção pode causar. Alisamos espinhos até quando não o sabemos: as necessidades humanas precisam disso, faz parte da dinâmica da gente - aprender, desde cedo, a crescer com os benditos.
Confesso que os embates vão se tornando cada vez mais constantes; são aproveitáveis, até. Mas cansam. Estafam. Maltratam. E não falo pelas cicatrizes que vão aparecendo não; cicatriz é marca que traz lembrança, e lembrança só existe se a gente permitir. Falo da cobrança existente a cada nova luta, a cada soada do gongo, a cada espera pelo resultado e, por muitas vezes, pela sua extrema necessidade de força quando é preciso lutar.
Falo de coragem, de necessidade de mudança, de descamação do camaleão, do pêlo crescente de um filhote, da renovação das folhas de uma árvore. Daquela mudança que vem aos poucos, aos pingos; quase imperceptível, microscopicamente observável, mas que traz consigo a coragem para gerar o que seria um começo de confiança em sí próprio, para, a partir daí, algum dia, levar a gente a confiar nos outros e nos seus demônios. Afinal, o inferno não são os outros, o inferno não é a gente; somos todos mapas-mundi habitáveis, também, por demônios. Aprendamos com eles seja lá o que for - expulsá-los, maltratá-los, alimentá-los, [...]

4.1.09

da série gente como a gente, número 2.



o bom é quando as letras deixam apenas de ser
fonemas unidos entre si para darem espaço à sentidos maiores. coisa difícil. nem
sempre as pessoas conseguem enxergar o que há por trás das palavras, o que as
rodeia, você faz parte de um círculo raro.único. apenas deixar fluir frases,
para você, é fácil, mesmo que para trazê-las à tona sejam necessários anos de
amizade intensa, de conhecimento mútuo, o mais difícil e mais gratificante é ver
você seguindo em frente, se [re]construíndo aos poucos, aos segundos,
tentativas.só quem conhece um pouco do teu avesso sabe que chegar a este ponto,
encontrar-se nesse meio é algo novo, assustador. mas te digo, com plena certeza
e alegria, o teu caminho apenas começou, é que tudo, no final, faz parte do teu
show.
eu amo você. [Clareana - 29/08/08]


dois minutos. cinco minutos. dez minutos para tentar arranjar as idéias e poder, assim, falar dela. mas como se fala de alguém que você conhece tão a fundo mas que, por isso mesmo, tem receio em mostrar essas particularidades que custaram tanto a aparecem para todo o resto das pessoas? Podem me chamar de egoísta, do que for, mas, taí, essa eu não consigo dividir não. é mais forte que eu, esse meu medo de perder as pessoas das quais eu deposito tanta confiança, amor e tudo de melhor que há nessa vida. não, minah gente, desse medo eu não quero me livrar nunca.


e, pra falar dela, a gente precisa fechar os olhos e imaginar uma pluma, daquelas bem cheias, bonitas, daquelas que dá gosto de se ver; branca, azul, amarela, a cor não importa - ela sabe ser arco-íris. para os dias tristes, ela se veste de um preto reluzente; para os dias alegres, o amarelo é sempre a escolha dela; nos dias melancólicos, ela se faz cinza claro, cinza escuro, depende do horário. os dias alegres? ela é todas as cores: tudo misturado, do jeito que ela gosta. inclusive, a idéia do ser tudojuntoemisturado faz parte disso: ela foi uma das pessoas que me ensinou isso, me ensinou ser assim.


a mão estendida, a lágrima que só desce para acompanhar a minha, o riso de "tá tudo bem", o abraço de "já passou", a alegria de deitar num dos bancos do parque mais bonito da cidade ao som da orquestra sinfônica e acompanhar a cadência das luzes, só a gente sabe o que significa. só a gente sabe, também, o que significa transcender a palavra amizade: só a gente sabe.


e é por essas e outras que toda vez que eu paro para escrever sobre ela, as palavras ficam com vergonha e se escondem, com medo de serem tidas, depois, como escolhas erradas ou pequenas demais. aí eu fico só no sentimento, amando e querendo bem e estando aqui sempre, estendendo a mão, abraçando, chegando junto e defendendo, enxugando lágrimas, causando risos e entendendo silêncios. porque, mais do que ninguém, eu sei que ela sabe me entender; eu sei que ela sabe que, quando não há silêncios desconcertantes entre duas pessoas, é sinal de que as almas delas se reconhecem. e é isso que eu espero dessa minha vida: esse caminhar de almas até quando a gente fizer 100 anos, sambando e ouvindo cartola, cantando o quanto a vida é bonita, com um copo de cachaça nas mãos e a alegria de ter tido, pelo menos, 85 anos de memórias juntas. eu amo você.



22.12.08

baby, i love you




Tenho uma teoria acerca da importância da música nas nossas relações do cotidiano: para mim, uma relação só existe se ela tiver a sua música própria, aquela que serve de trilha sonora, que toca involuntariamente na sua mente quando a rádio sintoniza tal pessoa ou tal estação que te faz lembrar esse certo alguém.

Pronto, é disso mesmo que eu quero falar hoje, porque eu, ultimamente, ando gritando, escrevendo, assim, no ar, como uma doida, para quem passa na minha frente e é atingido, ferido, zapeado, lombrado ou chamado por tudo isso. Chego a parecer uma doidamaluca quando paro e jorro alguns versos de canções, meio desajeitadamente e, até, timidamente, ora em forma de cantoria, ora como uma leve e doce poesia: e quem recebe, pelo menos até hoje, tem reparado na [real] importância disso.
Não é que cada um tenha que ter um numerozinho presente naquela escala que a gente fica rodando o botãozinho atrás de uma boa freqüência não; o que eu quero deixar claro é que, justamente, são poucas as pessoas que têm essa estação marcada, decorada, entre os números principais da rádio da nossa mente.
Tenho uma música para cada um dos meus amores cultivados, sejam eles amores constantes, amores clandestinos, desamores ou eternos. E é de se impressionar como a freqüência é sempre fantástica!
O samba é, geralmente, dos desamores: amargura, cerveja, saudade e boas lembranças fazem com que ele toque na vitrola da gente e remeta a algum dos amores citados. As canções mais antigas, que a gente guarda nas estações chamadas clássicas, são as que nos lembram aqueles momentos que outrora estavam aqui, quase que na janela da gente, como aquela fazenda antiga e os violões, mas que hoje fazem parte de um passado cheio de Belchior, Benito de Paula, Clube da Esquina, O Grande Encontro e outras poesias que, inacreditavelmente, eu sei cantar desafinadamente e muito mal, mas não erro uma sílaba!
Os Novos Baianos, Gil, Gal e seus Doces Bárbaros, a sangria da Ave, a transcendência do Harrison, o amor transbordante do Chico, do Caetano, de tantos outros que fazem com que a gente grite, a gente pule, a gente se abrace, cante na janela do carro, com o vento batendo na cara, dance e dance e dance e nunca se canse é outro ponto importantíssimo: esses daí fazem parte dos amores constantes. Tocam todo dia, como quem já sabe que toca na mesma freqüência pulsante do coração.
As trilhas de filmes? Bem, essas, com certeza, viram as trilhas dos clandestinos: platônicos, efêmeros, suspirantes, seja lá a denominação que a gente quiser atribuir à isso, é fato que, de amores clandestinos, o filme da nossa vida anda cheio, não é? Só que, aí parece mais aquele enígma do "copo metade cheio ou metade vazio?", porque, se a gente parar para analisar, quantos rolos de filmes são precisos pra caber toda a sua vida? Vários, eu te garanto. E, por isso, meu amigo, te falo aqui, agora, sem nenhuma cerimônia: amores clandestinos são precisos, preciosos e (im)previsíveis nessa vida da gente.
Pra terminar, e os amores eternos? Esses são como as músicas das letras bonitas, que fazem a gente chorar cada vez que repetimos ela: ela consegue criar uma lágrima diferente para cada sintonizada na estação. São as músicas do João Bosco, com certeza. São as músicas que a gente sabe cantar todinha, sem pestanejar, e que, quando canta, sintoniza o pensamento em alguém. É como ouvir o bêbado e o equilibrista e não sentir um arrepio; não gritar o baby, i love you e cantar você precisa saber da piscinada margarinada Carolinada gasolinade
mim
colocando a cabecinha meio de lado, tentando sentir a música.
Minha gente, essa trilha desses amores eternos é, simplesmente, a trilha dessas nossas relações. Simples assim.

12.12.08

da série gente como a gente, número 1.


Quando a gente vê esses olhinhos pequenininhos, parecendo dois risquinhos que se apertam muito, mas muito mesmo, como que tentando segurar um absurdo de ternura e leveza que eles exalam, é quase impossível não se ver num sorriso quase nascente na gente; é que eles parecem refletir o que encontram pela frente, assim, meio sem cerimônia nenhuma.

Por que, na verdade, todo mundo sabe que o sorriso é a principal saída das nossas necessidades - é a síntese de todo um processo interior, resultante de duas etapas anteriores: a tese e a antítese. A tese a gente pode imaginar como a parte racional que pulsa dentro de nós (ou todo aquele encadeamento de pensamentos considerados lógicos, sensatos e previsíveis)...uma tentativa de fazer as palavras cruzadas do lado de dentro da gente.

A antítese? É, simplesmente, na melhor das hipóteses, o inesperado, asfixiante; é o magma, a semente, o engodo, o que lateja descompassadamente em todas as partes - inclusive em meio à tese.
Ora, pois, o sorriso não poderia deixar de ser a parte pulsante que resulta dessa mistura toda: é um depois.E não um depois que se resume a futuro; é um depois de resultado, de recompensa. É sorriso e pronto, chega.

E, assim como os seus olhinhos que exprimem melhor que os de ninguém aquela máxima de que "os olhos são a janela da alma", o sorriso dele traz um não-sei-o-que-bom-demais. Sabe ser terapêutico. Abraços que abarcam o mundo, o instante ali, quase fotografado pelos olhos brilhantes e cheios de "quero muito mais, sempre, da vida"; é disso que eu falo, que eu grito, que eu exalto, que eu admiro, que eu chego a me calar para pensar na quantidade de coisas que eu preciso dizer, apontar, mostrar mas que ainda não sei falar sobre. Mas, de certo, saberei. Quando a gente percebe gente assim, como a gente, não costuma deixar ir passear, ir embora, ir muito longe não. A gente sente falta e quer ali, num potinho, se puder... pra sacudir, apertar, amolengar, ou, só para sorrir mesmo.

Kundera, Piaf, Devendra and ribbons around the fumes...era só disso que eu tava querendo falar esse tempo todo, era só de sorrisos maiores;
só de gente como ele; era só de gente como a gente.
(texto prometido para ele, tinha que ser o primeiro.)

6.12.08

sim, inverno, estamos vivos.

Bom mesmo é o
dente-de-leão: a gente sopra por aí e pronto,
ele sai se espalhando, numa
cadência sem igual. Só quem tem trabalho nisso tudo
é o vento: ele é o
encarregado de levar cada partícula de semente que sai se
jogando no meio do
nada, como se já tivesse esperando ser embalada por essa
dança do
me-leva-que-eu-vou-junto. Só que, não pense que, apesar dessa total
liberdade de escolha do vento, as sementes acabam se deixando levar
completamente, como se não tivessem forma, tamanho e necessidade. Não é bem
assim.
É que muitas delas acabam se metamorfoseando e, por
conseguinte, se adaptando a cada
novo lugar ao qual são levadas. As que não
conseguem, simplesmente vão
caindo, caindo, caindo, até baterem no chão e
causarem um estalo que,
audível mesmo, só para quem a viu despencar.
Quer fazer o
teste? Sopra um dente-de-leão em frente a um
espelho, e espera para ver as
sementes que conseguem se acoplar nos poros do teu
rosto. E, aí, quando
perceber o último estalo no chão, você vai saber que,
apesar destes
pesares,
nós continuamos sempre sendo mapas mundi habitáveis;
são só
os poros,
sementes, formas, tamanhos e necessidades que acabam
mudando;

O outono é quase aí,
e,
sim,
inverno,
estamos vivos.

23.11.08

como eu me apaixonei


Dias atrás, presenciei uma amiga agoniada entrar na sala, batendo porta, sentando, parecendo estar sufocada de coisas. Ela ia ficando cada vez mais vermelha, os olhos bem marejados, totalmente marinhos. Até que não se agüentou e começou a chorar e a contar o que tinha acontecido.
Assisti a cena admirada. Não pela agonia dela, e sim, pela capacidade de externar sentimentos.
É que, assim, eu nunca fui muito boa nisso não.

Mainha conta até hoje que, quando eu era pequena, aprontava as maiores coisas do mundo, e, na hora de apanhar - quando o caso era realmente sério, como foi quando colei chiclete na franja do meu irmão e cortei a metade dela - eu corria e escolhia uma sandália bem acolchoada, aquela que eu achasse que ia doer menos. Essa era a forma de eu tentar me safar 'inteligentemente' da situação sem deixar de receber a minha punição - é que minha mãe sempre fez questão que eu e meu irmão tivéssemos noção de
responsabilidade e consequências diante dos atos. Aí, claro, eu sempre pegava a mais 'molinha', sabe?
Nunca na minha vida pegaria uma sandália de couro. ATÉ PARECE.
E aí, apanhava sem derramar uma lágrima. Parecia coisa de criança ruim mesmo: trancava os dentes, prendia todo o sentimento do lado de dentro e ia ficando vermelha, como quem sabe que os sentimentos pareciam querer escapar por todos os buraquinhos, todos os poros. E aí, ficava concentrada nisso. Só nisso.
Apesar de eu acreditar, por muito tempo, que essa era uma das minhas qualidades - tinha aprendido a sofrer as consequências dos meus atos - sabia que, na verdade, isso era mais para mascarar um defeito que considero tremendo: meu orgulho. Sempre fui orgulhosa, sempre.E, por muito tempo, quis acabar com isso. Tinha vergonha as vezes, porque isso me atrapalhava demais quando eu queria externar certas coisas. Esse orgulho impedia.

De uns tempos pra cá comecei a perceber que venho mudando aos poucos, aos pingos. Tive um hiato imenso que me impossibilitou de escrever o que eu queria, quando eu queria, como eu queria. E eu fiquei agoniada, com tudo preso aqui dentro. Porque as palavras eram a única coisa que me faziam externar tudo. Sempre foi assim. Orgulho perto delas era apenas uma palavrinha a mais do dicionário, bem insignificante diante de todo o conjunto das outras.

Se a gente não consegue dizer o que tem para dizer ou o que gostaria de dizer, como tudo fica? já parou pra pensar nisso?
Por isso que, quando paro para pensar no quanto gosto de escrever, eu fico feliz só em pensar nessa minha história de como me apaixonei pela escrita.



P.S.

Perceba na foto acima a franja do meu irmão cortada. E perceba, também, o tamanho da criança que ainda aprontava - leia "eu" aqui. :)

16.11.08

alguns tormentos

Não satisfeita em
ser totalmente riscada por dentro, ou, na melhor das hipóteses, quase uma zebra,
ainda assim, mantinha uma estranha mania de se pintar por fora.
Os arranhões que,
uma vez estando internamente, ficavam protegidos de agentes externos, que,
possivelmente iriam causar mais dor e agonia, agora apareciam a olho
nu.
Vez ou outra, ela
inventava de se arranhar. Ela mesma. Coisa simples: esperava suas unhas estarem
grandes o suficiente para causar o estrago previamente super calculado, e o
fazia. O fazia como quem sabe o que está fazendo, como quem se machuca sabendo
que o faz e, pior, porque o faz. Ela era auto-destrutiva. Era a única
resposta.
Primeiro um braço.
Depois o outro. O rosto. Não, não, o rosto não. Agora não. As lágrimas vão fazer
arder mais ainda. Preciso sofrer mais para poder aguentar essa ardência. Agora
tem que ser as pernas. Aí, sim, vou para o rosto. Porque aí, não vai restar mais
nada: tudo já vai estar riscado, sem chance de sobrar algum lugar limpo, sem
dor, sem marcas. E, só assim, eu vou saber que está tudo acabado. Porque, quando
já não se tem mais lugar para ir, o que se fazer, é chegado o fim. Não é assim
que te ensinam? Pelo menos foi assim que me ensinaram. E foi a única coisa que
aprendi.
Simples assim:
como dois mais dois são quatro.
Ela repetia
em tom ameaçador, enquanto fazia o que tinha que ser feito:
- Não se perca de si mesma.
E assim, ia
seguindo. Era só o tempo das feridas criarem casquinhas, aí ela vinha e fazia
tudo denovo. Ciclo vicioso. Passou muito tempo da vida fazendo e refazendo isso,
até que um dia, parou de se arranhar, mas continuava repetindo a mesma frase de
sempre: - Não se perca de si mesma.
Tinha se
perdido dela mesma; pelo menos por enquanto.



21.9.08

!




Nenhum ato humano é uma imitação completa e exata, cópia fiel, reprodução precisa de um modelo ou papel redigido de antemão. Em todo ato, os modelos são, mais uma vez, reproduzidos em formas nunca totalmente idênticas. Todo ato é, até certo ponto, uma permutação original, uma versão única do modelo. Os modelos não existem de nenhum outro modo, a não ser no processo de contínua e inescapável transformação.

Pois bem. Volto a esse mal-estar da pós-modernidade: o efeito-estafa. Quem acompanha o trajeto kafkiano deste lugar, sabe muito bem que sou filha única do Samsa: trago comigo os pormenores de ser metamorfosis contínua.


Após um longo processo de mudança, adaptação e descoberta, retorno com mais uma fase dessa permuta de casca, aqui. Sabem como é...toda vez que a estafa chega, é necessário.